segunda-feira, 9 de março de 2009

Mórbido, Funesto Mórbido (de volta o auterego)

De sangue estampa agora ponho em verso

A hematose, o hematoma, a mancha

Que em minha pele ainda se desmancha

Que mesmo deus apaga no universo

 

E o corpo roto, estirado e morto

Se põe ensolarado o próprio gosto,

E a poça, embebida em dó o rosto,

Vertido em cinzas, em breu absorto

 

Escarra o hemofluido, ralo, cego

E há um prazer a elevar meu ego

Como a latejar no meu peito o corte

 

E mesmo mal, de fogo desalento

E o vil hálito a espalhar no vento

Sobra um soluço da sua calma morte 

quinta-feira, 5 de março de 2009

Considerações sobre a morte

Antes de começar a falar o que quero é preciso dizer que acabei de rever um filme chamado “Encontro Marcado”, que, aliás, recomendo, e meu rosto ainda repuxa devido às lágrimas secas. Como todos os meus textos, gosto de escrever ainda no momento da emoção, acho que as palavras e sentimentos saem com mais facilidade para o papel. Mas deixe-me ir ao ponto que me trouxe aqui. Esse filme me fez considerar algumas coisas a respeito da morte e a principal foi uma pergunta. Que atitudes eu teria face à morte iminente? O texto que se segue fala sobre isso.

Última vontade

Diante da morte iminente
Ao ansiar por serenidade
Bastar-me-ia agradecer

Agradeceria às tias da escola
Ao me destituírem a divindade
Investiram-me de humanidade

Agradeceria aos amigos de infância
Ao me aceitarem em suas vidas
Conferiram-me identidade

Agradeceria às paixões adolescentes
Ao serem eternas em sua duração
Revestiram-me de ternura

Agradeceria às desilusões
Ao revelarem o cenário mais desolador
Alimentaram-me a mais veemente esperança

Agradeceria à minha consorte
Ao se juntar a mim no caminho
Aferiu-me um norte

Agradeceria a meus filhos
Ao nascerem e sorrirem
Instituíram-me um sentido

Agradeceria a meus pais e irmão
Ao conjugarem minha biografia
Concederam-me a dádiva da vida

quarta-feira, 4 de março de 2009

Mais um para animar esse blog.

Soneto incontido


Não hei de me atrever, a sua beleza

A transmutá-la toda em parcos versos,

Palavras aviltadas sem certeza

Que meus olhos descrevem submersos

 

Não há espaço vago na poesia

Para comportar do teu corpo o perfume

Que o cheiro em minha narina ainda ardia

Entorpecido e cego por seu lume

 

E mesmo a epopéia mais homérica

Ilustrada por tão lindas sirenas

Para a sua voz ainda é pouca

 

E até as curvas breves do seu nome

Não cabem em estrofes tão pequenas

E nem nos sons que vem da minha boca

terça-feira, 3 de março de 2009

UNICIDADE

Ah! Se eu pudesse te ver por dentro
E não mais me ater aos adornos
Não mais me perder em tormentos
Diante de teus físicos contornos.
Se pudesse, uma vez, adentrar
Tua alma, só para ver o que se passa
Nesse teu jeito de suspirar
Que não decifro e me arrasa...
Se pudesse penetrar seus secretos sonhos
E controlar teu modo de ser,
Entendendo teu olhar risonho
Que abarca o meu viver.
Se pudesse ser o plasma do te sangrar,
para saber das tuas chagas a cura
Para aplacar tuas agruras
Retomar-te em meus braços,
refazendo os passos
de todo o teu eu.
Se pudesse ser entre teus ossos o espaço
Vivendo intimamente tuas sensações;
Compreendendo teus traços...
Vou me embrenhando por tuas emoções
Se pudesse ser o teu pranto
Para sentir sua dor como minha,
para não mais ficar esperando...
Ser parte de tua vida, ainda que sozinha!

Combo

Bom, não posto nada há muito tempo, mas já que temos uma nova contribuidora (Moon) vou postar hoje 2 poemas. Espero que a chegada da nova escritora anime mais as coisas por aqui. Sinto falta do humor ácido do Sr. Márcio, do amor terno da Arya e das loucuras eventuais do nosso caro Ulisses.
enfim, postem. vou postar

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Desejo

Desejo o beijo, o ego, o desejo

Assim me vejo, restos de espera

É brando e cego, resta-me o ensejo

Beijo o desejo, e nós, os nós dos dedos

 

Eu apodreço de não realizá-los

Sem risco desconstruo o que sou

De sonhos cresço, de não tê-los calo

Não deixo que se acenda o frágil fogo

 

Arisco ou fraco, não me arrisco à causa

Sobra o desejo, a emoção e a pausa

De quando eu vejo meu amor assim

E o tempo engole a dura derrocada

 

Mas não me lanço no sem-fim abismo

E meu amor também não vai por mim

E quando o seu ar mui perto sinto

Controlo o peito a externar minha ânsia

 

Pois eu não sou mais ser na burra infância

Nem eu sou inseto que obedece o instinto

Não vou voar para o sol e encontrar lâmpada

E nem morrer na luz da minha ignorância 


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Anoxia

Desfaço minha mão no meu corpo

O meu leque de cartas marcadas

Pergunto se não és parte do caminho,

Mas não, pois já passas de toda estrada

E a seta óptica a se me observar diante do espelho

Meus calos, meus olhos, meus lábios vermelhos

Por dentro vermelhos, irrigados por veias e fluídos

Do não-meu sangue. Nosso sangue.

Enrubesço eu próprio. E réstias de luz forte a me queimar

E tua silhueta se forma por trás dos meus olhos

Da cor negra

Negra que é a cor do medo que se forma em mim com tua sombra

E falta melhor definição para medo. Que tu

E melhor definição para ti. É medo.

 

Desminto meus pesadelos e pecados

Eu finco minhas mentiras no meu corpo, em castigo,

Facas cujas pontas eu sinto, dentro de nós

E a dúvida afiada está comigo.

A incógnita desajeitada do desejo

Sem beijo, sem toque.

O medo do medo da morte.

E a morte é tua falta, é não ter ar teu

Teus pulmões, não os vejo, mas o sinto,

Em um ritmo quente, rápido, nervoso

Não mais que os meus pulmões

Que me engasgam e não consigo falar

Porque meus dentes trincam, minha boca sela, minhas narinas pifam

O meu corpo pára. Não é cedo.

 

Desato os nós que fazem os meus músculos rijos

Os nós da minha garganta e do meu peito

Eu choro um choro interno e castrado

Eu rio um riso frouxo e sem jeito

Não tem jeito. Meu corpo treme só com tua presença

Meu corpo teme não ser bom pra ti

Minha mente se ausenta, se implode

É a morte, não é cedo, é o medo em si

Meus dedos já não se bastam sozinhos

Minha pele já não busca teus carinhos

Mas busca tua palavra e tua voz

Pois se até a pele que não tem ouvido

Sua boca faz sentir os calafrios

Os mesmos calafrios do meu corpo

 

E fervo em uma febre desalmada

Contorço o meu corpo todo em vão

Não expulso uma palavra da minha boca,

Não encontro os meus pés tocando o chão

Prolixo, devaneio mil palavras

Extensos versos de cem poesias 

Mas não há poesia que se baste

E nem há poeta que se cale

Diante da palavra que não vem

Que todas as bocas em uníssono cantam

Que é o ídolo mor de cada autor

E todas as mulheres dizem amém

Pergunto se não és parte do caminho,

Mas não, pois já é mais que meu amor.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Palavras Poéticas

Faço longas poesias
para que se expresse a alma
Para levar alegrias,
para desconcertar a calma.
Escrevo para não sair de mim,
para que meu cálice suporte,
As palavras correrem soltas
Na mente e não na boca,
que se agrupam e se formam...
Não se aguentam e se jogam.
Atiram-se ao gosto
Do próximo, do outro.
Expressam-se por si,
não são mais minhas,
não saíram daqui,
percorrem sozinhas... agora
O caminho do pensar
Levando Nova Aurora
a quem não mais podia acreditar...
Apenas poesias, poesias apenas...
Que salvam da inércia, da perda,
Dos televisivos mecenas...
Leitura, paixão verdadeira!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

ALÔÔÔÔÔÔÔÔ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

LIGAÇÃO DE MARTE.
ALGUÉM, ATENDA!!!!
TÁ BRABO HEIM.